O Amazonas cheio de discursos vazios e sem agenda

A velha, podre e arcaica política amazonense parece que vai se perpetuar por mais alguns anos no Estado. Palavras como “mudança”, “renovação”, “novo” e “terceira via” estão se deteriorando a cada eleição e caindo no descrédito com a sociedade.

Os que se dizem “novos” e “terceiras vias” reafirmam a tese daqueles que acreditam que na política “nada muda”, “todos são iguais”, “todos se corrompem”. Esses que ousaram e enganaram a sociedade ainda hão de pagar por isso, não há nada que a história não responda.

Em 1982, o falecido senador Gilberto Mestrinho, em uma entrevista, disparou que seu grupo político iria governar o Amazonas por 20 anos. O Boto Navegador, como era conhecido, foi ingênuo e não acreditou no potencial arteiro do seu grupo que já ultrapassou os 30 anos na governança do Estado.bandeira-do

Ledo engano acreditar que o discurso do novo possa realmente se personificar em um candidato. Enquanto o eleitor amazonense continuar acreditando que possa haver um salvador da pátria, ou aquele que pode até ser bom no discurso pedindo para o seu oponente se “ajoelhar no milho”, ou ainda que se acha o “jovem e brilhante” da vez, continuaremos nos enganando colocando os “novos” com as velhas práticas dos conchavos, do fisiologismo e do pragmatismo com apoio, partido e dinheiro dos velhos caciques.

Às vezes, somos induzidos a crer num discurso novo, com cara nova, mas, paralelamente a isso, não se deve deixar de acreditar que só um programa discutido com a sociedade pode tirar a política amazonense do marasmo que se encontra.

O que Manaus, o Amazonas e o Brasil precisam é de uma agenda discutida e construída com os núcleos vivos da sociedade; como diz a ex-senadora Marina Silva, precisamos pensar “em programas de longo prazo para o curto prazo político e não em programas e projetos de curto prazo para alongar o prazo no Poder”.

Infelizmente, é o que vem acontecendo ao longo desses trinta anos no Estado. Chega de enganadores com caras novas, discursos bonitos, mas com práticas e partidos velhos!

 

*Professor de História pela Ufam, coordenador de Ação Institucional e Políticas Públicas da Executiva Nacional da Rede Sustentabilidade.

http://neutoncorrea.com.br/2015/12/15/o-amazonas-cheio-de-discursos-vazios-e-sem-agenda/

15 de dezembro de 2015.

 

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