Futuro de retrospectiva

O tabuleiro eleitoral vai clarear posicionamentos. Quem é quem e quem está ao lado de quem. O senador Omar Aziz (PSD) e o governador José Melo (Pros) já deram a largada na corrida, anunciando apoio ao atual prefeito de Manaus, Artur Neto (PSDB). O ministro Eduardo Braga (PMDB) sai em várias frentes, com Marcos Rotta (PMDB), Hissa Abraão (PPS) e talvez a superintendente da Suframa, Rebeca Garcia (PP).

O deputado Federal Alfredo Nascimento (PR) já escolheu o seu novo amigo e parceiro de legenda Marcelo Ramos. Nessa corrida só participa aquele velho grupo, apenas dividido.

O prefeito terá que assumir que o bico de sua gestão pesou e terá dificuldades para continuar seu voo tucano. Um prefeito longe da realidade da sua cidade e dos cidadãos manauenses; um prefeito que deixou de governar Manaus há algum tempo, pensando apenas em duas prioridades: a eleição de deputado federal de seu filho Artur Bisneto (PSDB), o mais votado do Amazonas, e agora na sua reeleição para a prefeitura. Há ainda quem o defenda, sempre buscando fazer comparações com algo mais sujo, esquecendo de criticar quem de fato merece.

– “Levar água para todas as casas de todos os bairros de Manaus”; fazer 40 mil ligações domiciliares de água encanada; tirar o BRT do papel (que ligaria a Zona Leste à Manaus Moderna); a volta da domingueira (passagem de ônibus a R$1,00); o projeto “Mãe Manauara e 1 computador por aluno” (promessas do candidato Serafim Corrêa (PSB) assumidas no segundo turno da eleição); criação da secretaria municipal de segurança pública; 80 quilômetros de ciclovias. São apenas alguns dos vários pontos que Artur Neto terá que explicar para sociedade. Porque prometeu e não cumpriu! Quem terá “peito” de se contrapor ao Artur sem dever nada? Visto o cenário atual, ninguém.

Não serão apenas essas promessas que perturbarão o sono do prefeito nos próximos dias, mas também a escolha de seu vice na chapa, já que não conta mais com “o jovem brilhante” Hissa. Como solução, há quem diga que o prefeito escolherá um de seus secretários.

Segundo pesquisas, Artur ainda seria reeleito. Caso isso se concretize, viveremos dias piores do que vivemos em sua atual gestão, pois depois de reeleito só pensará nas eleições de 2018. Como voltar ao Senado, como garantir a reeleição de seu filho na Câmara Federal, como ajudar seus aliados na Assembleia Legislativa e como pagar a dívida com o senador Omar Aziz.

Esses velhos políticos não pensam em resolver os problemas reais da nossa cidade, mas como se manter no poder a cada eleição e garantir a manutenção de seus pupilos no poder. Reflexo do que chamamos de crise política, porque nesse imbróglio não encontramos saída, apenas discursos vazios.

Apesar de tudo, parece que o prefeito conta com a sorte de uma crise sem precedentes: a falta de novas lideranças na cidade. O que dá a ele munição para contestar seus oponentes. Onde estão os candidatos de oposição séria e de posição firme, que mostram caminhos com uma agenda programática, com discursos sérios e com intenções éticas?

 

– Programa eleitoral do PSDB 2012 com promessas de campanha. Veja o vídeo.

– Entrevista à Rede Amazônica do então candidato a prefeito Arthur Neto. Veja o vídeo.

 

* Professor de História pela Ufam, coordenador de Ação Institucional e Políticas Públicas da Executiva Nacional da Rede Sustentabilidade.

http://neutoncorrea.com.br/2015/12/30/futuro-de-retrospectiva/

30 de dezembro de 2015.

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