A Borboleta chegou ao nono andar

A borboleta chegou ao nono andar e contemplou o Rio Negro. Mas antes
desse momento inusitado à frente da beleza amazônica, ela passou por algumas etapas, duras etapas.

Por um bom tempo é lagarta, rasteja pelo chão e apenas conhece o mundo sob essa perspectiva, talvez nunca imaginaria que pudesse criar asas. Vive dessa forma até que seja chamada à transformação pela natureza, mesmo contra sua própria vontade. Reluta, tem medo, mas chega a um ponto que é impossível ir contra a força do caminho natural. Dessa maneira é  compelida a iniciar o processo em busca de si mesma e de seu estado final.

Envolve-se numa pupa, torna-se crisálida e fica alheia ao mundo. Voltada para si mesma, sofre em suas quase insuportáveis transformações e não compreende o porquê de serem tão duras. Num dado momento, chega a se acomodar com aquele casulo escuro, todavia não imagina que tais dores e toda essa luta podem prontificá-la para o momento de saída do casulo e a nova vida que a aguarda com todas as cores e as belezas que ainda há neste mundo.

Lutar para sair do casulo não é uma tarefa fácil, é preciso passar por uma longa e dolorosa provação. É  necessário força, coragem e determinação, mesmo assim, o voo imediato não lhe é permitido. Agora ela sabe que a sua força para voar vem de suas asas, as quais passou muito tempo criando e tornando-as fortes para lhe sustentar em sua saída do casulo e em seu voo.

De repente aprende a voar e passa a olhar as coisas sob uma nova e inimaginável perspectiva: agora enxerga o chão, onde outrora viveu, de cima com suas belas asas que voam para contemplação e vivência da liberdade esperada e desejada há mais de 18 anos. Não, a metamorfose não dura todo esse tempo, entretanto a metamorfose dessa borboleta que eu conheço durou até mais que isso.

Borboleta, você chegou ao nono andar, agora se esbalde na liberdade, no seu renascimento e voe com suas belas asas para felicidade. Você deixou de ser lagarta, deixou de rastejar, saiu do tenebroso casulo que mais parecia uma prisão, contudo esse encontro com você mesma era necessário.

Não tenha medo de voar! Voe, voe alto e continue contemplando o nosso belo Rio Negro.

Tácius Fernandes

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